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O impacto dos ultraprocessados na alimentação infantil.

  • Foto do escritor: Maggium
    Maggium
  • 12 de fev.
  • 3 min de leitura

Você já ouviu falar em fome oculta? É um termo utilizado para quando a criança está acima do peso ou no peso ideal, mas está desnutrida em termos de micronutrientes. Agora, como uma criança dentro do peso ou acima dele, pode ter déficits nutricionais?


Pacote de salgadinho ultraprocessado aberto

A resposta é simples: muito alimento ultraprocessado, e pouca comida de verdade. 


Nos meus e-books, eu falo detalhadamente sobre os graus de processamento dos alimentos e como são divididos em: in natura ou minimamente processados; ingredientes culinários; processados e ultraprocessados. Então, aqui, quero focar apenas nesses últimos.


O que são alimentos ultraprocessados?


São formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcares, proteínas modificadas) ou sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor).


Como eu os identifico?


Normalmente eles têm uma lista de ingredientes extensa e, dentre eles, itens que você não reconhece pelo nome e não encontra na sua despensa.


E por que eles são tão perigosos?


Porque a estrutura do alimento ultraprocessado é desenhada para ser consumida em excesso e para substituir as refeições baseadas em comida de verdade - a qual deveria ser a prioridade da alimentação infantil.


Por que na infância o consumo desses alimentos tem mais impacto?


Na infância, além da construção do paladar, há o desenvolvimento metabólico. Você sabia que os dois maiores picos de crescimento humano acontecem do 0 aos 2 anos e depois na adolescência?


Nesses picos há formação de estrutura óssea, massa muscular e consolidação do desenvolvimento cerebral. A má alimentação compromete a altura máxima, a força e a saúde imunológica.


Mas como alguém pode estar acima do peso e desnutrido? 


A partir do consumo excessivo do que podemos chamar de calorias vazias, presentes nos ultraprocessados, que tem densidade energética alta, ou seja, muitas calorias, e densidade nutricional baixa, ou seja, poucos micronutrientes - as vitaminas e minerais das quais nosso corpo precisa para desenvolver-se.

Os riscos metabólicos também aumentam a partir da alimentação inadequada: obesidade infantil, resistência à insulina, hipertensão precoce e dislipidemias são alguns exemplos.


Há ainda um impacto na saúde intestinal, reflexo do excesso de corantes, conservantes, adoçantes, aromatizantes - que são os aditivos alimentares acrescentados a esses alimentos e que causam disbiose intestinal (situação na qual o número de bactérias ruins está aumentado em comparação às boas na nossa microbiota intestinal). Esse excesso de aditivos ainda pode causar reações alérgicas.


Esses alimentos são hiperpalatáveis, tornando as frutas e vegetais sem graça, o que pode causar seletividade alimentar e a recusa de alimentos naturais.


E é claro que a indústria não está para brincadeira, desde embalagens lúdicas, com os personagens preferidos das crianças, até o discurso de que você não tem tempo, com a vida corrida que leva, de preparar refeições, e que a solução é mesmo os ultraprocessados e que, afinal, eles nem são tão ruins assim - porque eles inserem na lista vitaminas e minerais de laboratório, retirados das comidas de verdade, que você e os seus filhos deveriam estar comendo.


Pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS/USP) demonstram que o consumo de ultraprocessados não causa danos apenas no futuro; os impactos são mensuráveis já nos primeiros anos de vida, reflexo do fato de que enquanto os ultraprocessados entram na dieta infantil, eles deslocam alimentos fundamentais - causando a tal fome oculta.

“O consumo de ultraprocessados na infância é o principal motor da pandemia de obesidade infantil, sendo responsável por alterações metabólicas que antes víamos apenas em adultos” - OMS.


Por tudo isso, o Guia Alimentar para a população Brasileira salienta que esses alimentos (com açúcares adicionados e ultraprocessados) devem ser evitados até os dois anos de idade - no mínimo! Muitos profissionais da saúde já entendem que esse período deve ser estendido até os 5 anos de idade, pois também é a fase da vida em que a microbiota está em formação.


Contudo, depois dessa explicação, você pode se sentir perdida, sem saber como mudar. Vamos juntas?

Se o seu filho já consome ultraprocessados, opte pela substituição gradual.

Incentive que ele descasque mais os alimentos do que desembale - você deve fazer o mesmo e ser o exemplo.


Leve seu filho para a cozinha. Aprender a cozinhar será a sua carta alforria da indústria alimentícia. E se o seu filho aprender também, ele terá autonomia na vida adulta para seguir uma rotina alimentar saudável.

Lembre-se, ao tomar essas atitudes você não preservará apenas a saúde do seu filho, mas das próximas gerações que virão dele também.


Agora diga para mim: "Qual a maior dificuldade que você enfrenta para reduzir os industrializados na lancheira do seu filho?" Quem sabe eu possa ajudar.


Beijos da Jana


 
 
 

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